Ouço às vezes que política, religião e futebol não se discutem. É verdade, conversando com as pessoas vejo pouca informação e muito preconceito com relação aos candidatos e aos partidos. Alguns simplesmente não gostam de um candidato; não gostam e ponto final. Não avaliam o programa de governo e muito menos avaliam resultados, o que é o mais importante. Discutir o que então?
Observo uns falando maravilhas de um candidato e horrores do outro; e vice-versa, como se os dois fossem perfeitos. Quando a ignorância e o preconceito se unem, deixa-se de discutir o essencial, e a hipocrisia reina.
Os companheiros de Lula espalharam milhares de e-mails denunciando que o PSDB iria privatizar tudo. O partido concorrente garantiu que era mentira e reclamou que esta atitude de espalhar o medo na população era uma tática vil e covarde. Esqueceram rápido que, na última campanha, colocaram uma atriz famosa, em horário nobre, para dizer que tinha medo do Lula.
O governo Lula foi, de fato, eleito para mudar. Passados quatros anos, não houve nenhuma ruptura com o modelo anterior, na realidade, o que o Lula fez foi romper com a ruptura!
A pergunta mais importante não é se o governo foi bom, a questão é entender para quem ele foi bom. Certamente, pelo menos na área social, o avanço de programas do tipo Bolsa Família levou a melhoria do padrão de vida das pessoas mais pobres nestes últimos quatro anos. Este fato pode explicar a massiva vitória do presidente no nordeste.
No entanto, este tipo de programa, ao consumir, cada vez mais, grande parte dos recursos do orçamento, vêm sendo duramente criticado como sendo mais assistencialista do que deveria ser. Lula, ao contrário do que disse, estaria dando o peixe em vez da vara de pescar.
No que tange a área econômica, tivemos 11 anos de governo FHC. O governo Lula começou somente este ano, com os aumentos dos gastos visando à reeleição. Tudo que o PT mais criticava do governo anterior ele manteve: superávit fiscal, metas de inflação e o câmbio valorizado.
Há de se ressaltar que os superávits comerciais recordes dos últimos anos devem-se muito pouco ao governo Lula. Este é fruto de uma combinação do grande crescimento da China, puxando para cima o preço de nossas comodities minerais e agrícolas, e da relativa estabilidade mundial pós 2001. Isto é, o crescimento das exportações foi no valor, não no quantus exportado. Deste modo, como a pauta de nossa exportações é ainda dominado por produtos que exigem pouca tecnologia, e estes tendem a ter seu valor reduzido ao longo do tempo, não durarará muito tempo estes superávits.
Os escândalos de corrupção do governo foram, sem dúvida, seu aspecto mais negativo. Os apaixonados pelo barbudinho garantem que isso é normal no planalto central e o perdoam. Já os namoradinhos do PSDB garantem que não nunca houve tanta roubalheira como agora; acusam José Dirceu de comandar a maior quadrilha da história do país, muito embora só tenham “condenado” o próprio, cadê a quadrilha então??
De qualquer forma, estes escândalos marcaram de um jeito definitivo a imagem do PT; representou a queda de um símbolo, levantou uma bandeira: somos todos iguais aos outros.
Uma coisa é certa: o PT aprendeu muito nestes quatro anos. Viu que para governar é preciso ter mais competência do que boa vontade. Este processo de aprendizado é valido numa democracia e levará a um segundo governo melhor que o anterior. Há também a esperança de que a continuação das políticas econômicas anteriores, como não conduziram o país ao crescimento desejado, leve o PT a políticas econômicas menos ortodoxas – rompendo assim com o continuísmo, finalmente.
* O colunista vai anular o voto mas, caso não anulasse, votaria no Lula pois acredita que o PT aprendeu com os seus erros e fará um segundo governo melhor. No entanto, o colunista nunca pediria votos para ele, Lula não merece.
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Mais uma dose do BruNo, no balcão às: 17:12











