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Domingo, Julho 23, 2006



Se houve um homem que nasceu para conquistar, esse foi Alexandre. Filho de um grande soldado, nutria-se com histórias de heroísmo e aventura. Ainda menino, era capaz de recitar de memória longas passagens de Homero, Píndaro ou Eurípedes; no palácio, dormia com um exemplar da Ilíada junto à cabeceira. Quando criança, já era orgulhoso. Certa vez, ao lhe perguntarem se queria competir nos jogos olímpicos, respondeu: “só se houver reis para correr contra mim”. Também era impulsivo e expansivo, tinha uma necessidade de amizade quase religiosa, prendia as pessoas com laços de lealdade e afeição. Nas vésperas de uma batalha, circulava entre os soldados, conversando sobre as aventuras passadas. Depois, visitava os feridos.

Dois incidentes ilustram seu brilho. No primeiro, um belo garanhão foi oferecido para Filipe comprar, mas o animal parecia tão selvagem que ninguém se atrevia a dominá-lo. Alexandre, ainda adolescente, pediu para tentar e declarou que pagaria uma multa equivalente ao preço do cavalo caso não conseguisse. Os adultos riram dele. Mas o jovem perspicaz tinha observado uma coisa que ninguém mais notara: o cavalo estava assustado com a própria sombra. Com calma, virou o animal em direção ao sol, aquietou-o e montou. Deu-lhe o nome de Bucéfalo, cuja montaria o acompanharia em muitas batalhas.

O segundo incidente ocorreu alguns anos depois, na campanha da Ásia Menor. Na cidade de Górdio, um carro estava atado a seu varal com um nó tão intricado que não havia como desfazê-lo; segundo a lenda local, quem o desfizesse tornar-se-ia o senhor de toda a Ásia. Alexandre estudou o nó por um instante e depois simplesmente puxou o pino onde estava o nó, desfazendo-o.

Aos vinte anos saiu de casa para conquistar o mundo. Conseguiu. Pouco antes de atacar os persas, recebeu uma proposta - quase irrecusável - de paz do rei Dário, onde ele oferecia sua filha em casamento, 10 mil talentos de ouro e a terça parte de seu império. “Se eu fosse Alexandre, aceitaria”, aconselhou seu general e melhor amigo Parmênion. “Eu também, se fosse Parmênium”, respondeu Alexandre. Como o exercito inimigo era muito maior (especula-se cinco vezes maior), seus generais insistiram em fazer um ataque noturno de surpresa. Alexandre recusou. “Não vou furtar minha vitória” disse, e, com ar de suprema confiança, retirou-se para sua barraca. Acabou vencendo os persas em todas as batalhas que disputou. E a lenda virou História: tornou-se o senhor de toda a Ásia.

Procuro um filme cujo personagem (real) acima descrito – que a própria História nomeou como “O Grande” - apareça. Nada parecido com uma espécie de Édipo chorão que vi outro dia.

Bruno Barbosa









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Mais uma dose do BruNo, no balcão às: 11:49